Sobre o autor:
Vívian Guazzelli (Parte III) Interação de alunos surdos com a comunicação computadorizada
05/08/2008
Relato da experiência
A pesquisa foi realizada a partir de aulas de informática ministradas com uma classe de surdos; o foco dessas aulas foi a comunicação. A escolha das ferramentas que seriam utilizadas nas aulas partiu dos alunos, que optaram pelas seguintes: MSN Messenger – Programa de mensagens instantâneas; Bate-papo (chat) – Disponível no site www.sentidos.com.br; Orkut – Rede de relacionamentos. Da turma, que é composta por sete alunos, quatro meninos e três meninas com idades entre 13 e 23 anos, apenas dois já utilizavam o MSN, quanto às outras ferramentas, nenhum aluno havia tido contato. Já no laboratório de informática, em interação com o MSN Messenger os alunos se mostraram entusiasmados com a possibilidade de troca de mensagens com os colegas através do computador, ainda mais por poderem conversar com vários colegas ao mesmo tempo. Tudo era novidade e foi comemorado como tal, até mesmo poder ver o colega através da webcam e conversar em LIBRAS. Todos foram bastante participativos e interagiram bem com a ferramenta; a comunicação foi obtida com sucesso. Houve troca de mensagens entre eles, e com ouvintes – primeiro professores, depois amigos que eles trouxeram o contato para aula e adicionaram no seu MSN. A segunda ferramenta utilizada foi o bate-papo. No início eles sentiam dificuldades em acompanhar as conversas, mas com o uso se habituaram ao ambiente. Em um segundo momento, os alunos entraram em contato com alunos surdos de outra escola; a comunicação se estabeleceu tranqüilamente, e pode ser notada uma melhoria na organização das frases, havia maior preocupação em escrever corretamente para ser compreendido. Foi realizada uma tentativa de comunicação com ouvintes no chat, mas os alunos tiveram algumas dificuldades, devido ao tempo restrito não foi possível uma segunda tentativa de comunicação com ouvintes no bate-papo. Encerrando a análise, algumas considerações sobre o Orkut. Apesar de terem pouco ou nenhum conhecimento, os alunos aprenderam rapidamente a interagir com o ambiente. O fato de a comunicação ser assíncrona foi um aspecto positivo, no Orkut foi onde houve a maior troca de mensagens. Dos professores que trabalham com a turma, recebi o retorno positivo, de seu interesse em continuar levando os alunos ao laboratório e realizando novas atividades. Possibilidades descobertas Ao término desta pesquisa, é possível afirmar que houve aprendizado de ambas as partes, e que foi muito positivo. Houve trocas de experiências muito válidas; ao mesmo tempo em que apresentei para estes estudantes surdos uma nova perspectiva sobre a comunicação e possibilidades de utilização do computador, aprendi a me comunicar com eles e compreender sua língua. Do ponto de vista da informática na educação, foram verificadas várias habilidades e competências que podem ser trabalhadas, a partir de qualquer uma das ferramentas experimentadas, quais sejam: 1) Conhecimentos de informática – hipertextualidade, navegação na internet, utilização do computador como meio de comunicação. 2) Habilidades de comunicação em língua escrita e aquisição do português como segunda língua, através das trocas culturais. 3) Confiança e independência no uso do computador – maior dinamismo e iniciativa dos alunos, fazendo com que percam o “medo” de errar ao usar o computador. A partir de tudo o que foi pesquisado, observado e analisado, creio que é plenamente possível que a comunicação dos surdos se estabeleça em ambiente computacional, e que as possibilidades relacionadas a partir desta pesquisa sejam um ponto de partida para que se possa continuar os estudos e pensar a prática de ensino que é realizada hoje nas aulas de informática na educação de surdos. 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